“Mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego”. (Romanos 2:8, 9 – ARA)


Porque voluntariamente provocou e atiçou essa ira. Se não está disposto a sofrer a ira de Deus, então por que O provocou à ira? Por que agiu como se pudesse arranjar uma maneira para que ele não se irasse contra você? Por que desobedeceu deliberadamente a Deus? Você sabe que a desobediência deliberada tende a provocar aquele que é desobedecido; assim acontece com um rei, chefe ou pai terreno. Se você tem um servo que é deliberadamente desobediente, isto provoca sua ira. E, novamente, se não suporta a ira de Deus, por que, com tanta frequência, O despreza? Se alguém despreza os homens, isto tende a provocá-los: quanto mais a Majestade Infinita dos céus pode ser provocada, quando é menosprezado! Você também roubou de Deus a sua propriedade, recusou-se a dar a Ele o que Lhe pertence. Os homens são provocados quando são privados do que lhes é devido e quando tratados injuriosamente; quanto mais Deus pode ser provocado quando você O rouba! 
E também desprezou a bondade de Deus para com você, e esta é a maior bondade e amor que se pode conceber. Você tem sido supremamente ingrato e tem abusado dessa bondade. Nada provoca mais os homens do que ter sua bondade menosprezada e abusada; quanto mais Deus pode ser provocado quando os homens retribuem Sua misericórdia infinita apenas com desobediência e ingratidão! Portanto, se continua a provocá-lo, e atiçar a Sua ira, como pode esperar outra coisa, senão sofrer essa mesma ira? Se, então, você de fato sofrer a ira de um Deus ofendido, lembre-se que é o que procurou para si mesmo, é um fogo que você mesmo acendeu. 
Você não aceitou a libertação da ira de Deus, quando lhe foi ofertada. Quando Ele, em
sua misericórdia, enviou Seu Filho unigênito ao mundo, você se recusou a admiti-lo. Amou demais seus pecados a ponto de abandoná-los para vir a Cristo, e por causa deles rejeitou as ofertas de um Salvador, de forma que escolheu a morte ao invés da vida. Após assegurar a ira para si mesmo, apegou-se a ela, e não a abandonou pela misericórdia. Provérbios 8:36: “Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte”. 

Como seria justo se você fosse entregue nãos mãos do diabo e seus anjos, para ser atormentado para sempre, já que voluntariamente se entregou para servi-los aqui! Você os ouviu, ao invés de ouvir a Deus. Como seria justo, então, se Deus o entregasse a eles! Você seguiu a Satanás e aderiu aos seus interesses em oposição a Deus, e se sujeitou a sua vontade neste mundo, ao invés de se submeter à vontade de Deus; como seria justo então se Deus o entregasse para a vontade do diabo daqui para frente! 

Como seria justo se o seu corpo fosse feito objeto do tormento do porvir, o mesmo corpo que você tornou instrumento do pecado neste mundo! Você entregou o seu corpo como um sacrifício para o pecado e Satanás: como seria justo então se Deus o entregasse como um sacrifício para a ira! Você empregou seu corpo como um servo para os seus desejos vis e odiosos. Como seria justo, portanto, se Deus, no porvir, ressuscitasse seu corpo para ser objeto e instrumento da miséria; e para enchê-lo tão plenamente do tormento como eles estiveram cheios do pecado! 

 Mas a maior objeção dos ímpios contra a justiça do futuro castigo que é ameaçado por Deus advém da grandeza desse castigo: que Deus deva infligir sobre os impenitentes tormentos tão extremos, tão incrivelmente terríveis, ter seus corpos lançados na fornalha de fogo de tão imenso calor e fúria, lá ficar sem se consumir, e ainda cheio de senso e sentimento, com chamas por dentro e por fora; e a alma cheia do ainda mais terrível horror e tormento; e assim permanecer sem remédio ou descanso para sempre, e sempre, e sempre. Portanto, mencionar-lhe-ei algumas coisas, para mostrar como você, com justiça, está exposto à punição tão terrível. 

1. Esta punição, tão terrível quanto seja, não é maior do que o grandioso e glorioso Ser contra quem você pecou. É verdade que é uma punição terrível além de toda expressão e concepção, da mesma forma que a grandeza e glória de Deus estão muito acima de toda expressão e concepção; mas, ainda assim, você continua nos seus pecados contra Ele, sim, tem sido ousado e presunçoso nos seus pecados, e tem multiplicado as transgressões contra Ele infinitamente. A ira de Deus, que vocês ouviram, terrível como é, não é mais que essa Majestade que vocês desprezaram e pisaram. Essa punição é de fato suficiente para encher de horror alguém que meramente pense sobre ela; e assim, se você a concebesse corretamente, ficaria cheio de no mínimo igual horror em pensar em pecar tão grandemente contra Deus tão grandioso e glorioso. Jeremias 2:12-13: “Es- pantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai estupefatos, diz o SENHOR. Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas”. Deus, sendo tão infinitamente grande e excelente, não o influenciou a pecar contra Ele, mas você o fez ousadamente, e fez pouco caso, milhares de vezes; e pelo fato dessa miséria ser tão infinitamente grande e terrível, impediria Deus de infligi-la sobre você? 1 Samuel 2:25: “Pecando o homem contra o próximo, Deus lhe será o árbitro; pecando, porém, contra o SENHOR, quem intercederá por ele? ” 

2. Sua natureza não abomina mais esta miséria que você ouviu, do que a natureza de Deus abomina o pecado de que você é culpado. A natureza do homem é muito avessa à dor e ao tormento, e é especialmente avessa a tal tormento terrível e eterno; mas, ainda assim, isso não impede que seja justo o que é infligido, pois os homens não odeiam a miséria mais do que Deus odeia o pecado. Deus é tão santo, e de natureza tão pura, que tem aversão infinita ao pecado; mas, ainda assim, você menospreza o pecado, e eles têm excessivamente se multiplicado e crescido. A consideração de que Deus o odeia não impediu você de cometê-lo; por que, portanto, a consideração de que você odeia a miséria deveria impedir Deus de trazê-la sobre você? Deus representa a sim mesmo na sua Palavra como cansado e aborrecido com os pecados dos ímpios: Isaías 1:14: “As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer”. Malaquias 2:17: “Enfadais o SENHOR com vossas palavras; e ainda dizeis: Em que o enfadamos? Nisto, que pensais: Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do SENHOR, e desses é que ele se agrada; ou: Onde está o Deus do juízo? ” 

3. Você não se preocupou com o quanto a honra de Deus tem sofrido; e por que Deus deveria se preocupar que a sua miséria não fosse tão grande? Você foi alertado sobre como aquelas coisas que praticou traziam desonra a Deus; contudo, não se importou, mas continuou a multiplicar as transgressões. A consideração de que quanto mais você pecava, mais Deus era desonrado, nem ao menos o restringiu. Se não fosse pelo temor do desgosto de Deus, você não teria se importado que o desonrasse dez mil vezes como fez. Devido à falta de respeito a Deus, você não se importou com o que sucedeu de Sua honra, nem de sua felicidade, não, nem do Seu Ser. Por que então Deus é obrigado a ser cuidadoso com o quanto você sofre? Por que deveria se preocupar com o seu bem estar, ou usar qualquer precaução para que não venha a colocar sobre você mais do que possa suportar? 

4. Tão grande quanto seja esta ira, não é maior do que o amor de Deus que você desprezou e rejeitou. Deus, em sua infinita misericórdia pelos pecadores perdidos, forneceu um modo para eles escaparem da miséria futura, e obterem vida eterna. Para esse fim deu o Seu Filho unigênito, uma pessoa infinitamente gloriosa e honrada, em si mesmo igual a Deus, e infinitamente próximo a Ele. Foram dez mil vezes mais do que se Deus houvesse dado todos os anjos nos céus, ou o mundo inteiro pelos pecadores. Ele O deu para se encarnar, sofrer a morte, ser feito maldição por nós, sofrer a terrível ira de Deus em nosso lugar, e assim adquirir-nos a glória eterna. Esta Pessoa gloriosa foi ofertada a você inúmeras vezes, e ele esteve e bateu em sua porta, até que Seus cabelos ficassem úmidos com o orvalho da noite; mas tudo o que fez não o ganhou; você não viu Nele forma nem formosura, nem beleza alguma que o agradasse. Quando Ele se ofertou a você como o seu Salvador, você jamais o aceitou livremente e de coração. Este amor que você dessa maneira abusou é tão grande quanto essa ira que você corre perigo. Se você o houvesse aceitado, teria o gozo deste amor ao invés de suportar essa terrível ira: assim, a miséria que você ouviu não é maior que o amor que você desprezou, e a felicidade e glória que rejeitou. Como seria justo então em Deus executar essa ira sobre você, que não é maior do que o amor que você desprezou! Hebreus 2:3: “como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram”. 

5. Se você reclama desta punição como sendo muito grande, então por que ela não foi grande o suficiente para o impedir de pecar? Conquanto seja grande, você fez pouco caso dela. Quando Deus ameaçou infligi-la, você não se importou com as ameaças, mas foi ousado em desobedecê-Lo, e fazer aquelas mesmas coisas pelas quais ele ameaçou esta punição. Grande como ela é, não foi o suficiente para impedi-lo de viver deliberada- mente uma vida ímpia, e continuar nos caminhos que sabia que eram maus. Quando soube que tais e tais coisas certamente o expunham a essa punição, você não se absteve por esses relatos, mas continuou dia a dia, ainda mais presunçoso, e Deus ameaçar tal punição não teve um efeito sobre você. Por que, portanto, reclama agora que essa punição seja grande demais, e dispute contra ela, dizendo que Deus não é razoável e é cruel em infligi-la? Ao dizer assim, se condena com sua própria boca, pois se é um castigo tão terrível, mais do que é justo, então porque não foi grande o suficiente para restringi-lo do pecado deliberado? Lucas 19:21: “Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei”. Você reclama que a punição é grande demais, contudo, agiu como se não fosse grande o suficiente, e a desprezou. Se a punição é tão grande, por que você se esforçou para torna-la ainda maior? Pois continuou dia após dia entesourando ira para o dia da ira, acrescentado ao seu castigo, e o aumentando substancialmente; e ainda assim agora você reclama que seja grande demais, como se

Deus não pudesse justamente infligir castigo tão grande. Como é absurda e contraditória a conduta de alguém que reclama de Deus por tornar o castigo grande demais, mas dia a dia grandemente ajunta e recolhe combustível, para tornar o fogo maior! 

6. Você não tem motivo para reclamar da punição ser injusta; pois muitíssimas vezes provocou a Deus com o seu pior. Se você proibisse um servo por fazer uma dada coisa, e o ameaçasse de que, se a fizesse, você infligiria sobre ele uma punição terrível, e ele, apesar disso tudo a fizesse, e você renovasse o mandamento, e o avisasse da maneira mais estrita possível a não fazê-lo, e lhe dissesse que certamente o puniria se persistisse, e declarasse que sua punição seria muito terrível, e ele completamente o desprezasse, e desobedecesse novamente, e você continuasse a repetir seus mandamentos e avisos, ainda falando do terror do castigo, e ele, ainda sem se preocupar, continuasse e continuasse a desobedecê-lo descaradamente e isso imediatamente após suas proibições e ameaças: você poderia agir de outra maneira senão fazendo o que fosse mais terrível? Mas assim você agiu com Deus; você teve Seus mandamentos repetidos, e Suas ameaças postas diante de si centenas de vezes, e foi mui solenemente advertido; contudo, apesar disso tudo, continuou nos caminhos que sabia serem pecaminosos, e fez as exatas coisas que foram proibidas, diretamente diante de Sua face. Jó 15:25-26: “porque estendeu a mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso; arremete contra ele obstinada- mente, atrás da grossura dos seus escudos”. Você assim invocou o desafio ao Todo- Poderoso, mesmo quando viu a espada de sua ira vingadora desembainhada, pronta a cair sobre sua cabeça. Seria então, uma maravilha se Ele o fizesse conhecer como é terrível essa ira, na sua completa destruição?


Extraído do sermão: A Porção dos Ímpios - Jonathan Edwards  


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