Incredulidade por J.C.Ryle

sexta-feira, 11 de julho de 2014


Incredulidade, somos ensinados em toda parte no Novo Testamento, é a grande razão pela qual multidões de cristãos e cristãs professos de qualquer idade não são salvos, e morrem despreparados para encontrar a Deus. Ela fecha o caminho para o céu, e torna as gloriosas promessas de misericórdia de Deus inúteis e infrutíferas. ― Quem não crê já está condenado”. “Quem não crer será condenado. ” “Aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” “Se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados (João 3:18,36; Marcos 16:16; João 8:24). Lembre-se, qualquer um para quem este papel possa chegar, lembre-se e nunca se esqueça – tanto mais a incredulidade do que o pecado é o que arruína as almas. ― Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens: ” – “O sangue de Jesus Cristo purifica de todo pecado”. “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve (Mateus 12:31; 1 João 1:7; Isaías 1:18). Mas se um homem não tiver fé em Cristo, ele se coloca fora do alcance da misericórdia. Eu ouso dizer que até mesmo Judas Iscariotes poderia haver encontrado absolvição, se, após sua negação, ele tivesse se arrependido e crido. A verdadeira causa da ruína eterna está contida naquelas solenes palavras que nosso Mestre falou perante o Sinédrio judeu, ― E não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40). 

Mas o fato mais triste fica para trás. Incredulidade é uma das doenças espirituais mais comuns nestes últimos dias. Ela nos encontra em cada esquina e em cada companhia. Assim como a praga egípcia das rãs, ela abre seu caminho para dentro de cada família e lar, e parece não haver afastamento dela. Entre os grandes e pequenos, ri- cos e pobres, na cidade e no campo, em universidades e em cidades industriais, em castelos e em casas no campo, encontrar-se-á continuamente alguma forma de incredulidade. Não é mais uma peste que caminhava nas trevas, mas uma destruição que aflige à luz do dia. É até mesmo considerada inteligente e intelectual, e uma marca de uma mente atenta. A sociedade parece impregnada por isto. Aquele que confessa sua crença em tudo que está contido na Bíblia deve se dispor a receber sorrisos desdenhosos e ser considerado um homem fraco e ignorante. 

(a) Para alguns a base da incredulidade parece ser a cabeça. Eles se recusam a aceitar qualquer coisa que eles não possam entender. Inspiração, Milagres, a Trindade, Encarnação, Expiação, o Espírito Santo, a Ressurreição, o Reino Futuro, todas estas poderosas verdades são vistas com fria indiferença como pontos discutíveis, caso não sejam absolutamente rejeitados. Podemos explicá-los completa- mente? Podemos satisfazer suas faculdades racionais sobre eles? Se não, eles devem ser desculpados, se ficarem em dúvida. O que eles não podem entender completamente, eles nos dizem que não podem crer inteiramente. 

(b) Para alguns, a base da incredulidade é o coração. Eles amam os pecados e hábitos de vida que a Bíblia condena, e estão determina- dos a não abandoná-los. Eles se refugiam de uma consciência pesada ao tentarem convencer a si mesmos de que o antigo Livro não é verdadeiro. A medida de sua crença é a sua afeição. No que quer que seja que condene suas inclinações naturais eles se recusam a crer. O famoso Lorde Rochester, a princípio libertino e infiel, mas depois um verdadeiro penitente, e lembrado por ter dito ao Bispo Burnet, conforme se aproximava de seu fim: ― Não é a razão, mas sim uma vida ruim, o grande argumento contra a Bíblia. Um verdadeiro e importante dito! Muitos, estou convencido, professam que não creem, porque eles sabem que se eles cressem, eles deveriam abandonar seus peca- dos favoritos. 

(c) Mas, de longe, para o maior número de pessoas a base da in- credulidade é uma vontade preguiçosa, indolente. Eles não gostam de nenhum tipo de problema. Porque deveriam eles negar a si mesmos, se esforçarem para ler a Bíblia, orar, observar o Dia de Descanso, e exercer vigilância diligente sobre pensamentos, palavras e ações quando, afinal, não é certo que a Bíblia é verdadeira? Esta, eu tenho poucas dúvidas, é a forma de incredulidade que prevalece mais frequentemente entre os jovens. Eles não são agitados por dificuldades intelectuais. Eles frequentemente não são escravos de quaisquer concupiscências ou paixões, e vivem vidas toleravelmente decentes. Mas no fundo de seus corações há uma indisposição para se decidirem e serem determinados sobre qualquer coisa em religião. E assim, eles flutuam pelo rio da vida abaixo, como peixes mortos, e flutuam desamparados, e são atirados para lá e para cá mal sabendo no que eles acreditam. E ao mesmo tempo em que eles se recuariam em dizer que não são cristãos, eles não têm qualquer suporte em seu Cristianismo. 

Em dias como estes, nós não devemos considerar uma coisa estranha se nos depararmos com uma vasta quantidade de incredulidade no mundo. Antes, acostumemo-nos a esperá-la, e a vê-la sob os mais ilusórios e plausíveis aspectos. Ser prevenido é ser premunido. Não há dúvidas que é surpreendente quando um jovem deixa uma pacata e isolada casa de campo, e se lança sobre as ondas deste mundo problemático em alguma cidade agitada, para ouvir doutrinas e princípios serem negados ou zombados, os quais ele nunca sonhou que alguém questionaria quando ele morava em casa. Mas certamente isto não é mais no que sua velha Bíblia deveria tê-lo ensinado a esperar. Não está escrito: ― Nos últimos dias virão escarnecedores? ― Quando porventura vier o Filho do homem porventura achará fé na terra? (2 Pedro 3:3; Lucas 18:8). Um homem tão jovem deve dizer a si mesmo quieta e calmamente: ― Esta incredulidade é precisamente o que a Bíblia do meu pai me disse para esperar. Se eu não me deparasse com nenhuma incredulidade este Livro não seria verdadeiro. 

Afinal, é algum conforto lembrar que há provavelmente menos de real, completa e fundamentada incredulidade do que parece haver. Milhares, podemos ter certeza, não creem em seu íntimo em tudo no que dizem com seus lábios. Para muitos, um ditado cético nada mais é do que um artigo emprestado, apanhado e distribuído por aquele que o diz porque soa inteligente, quando na realidade não é esta a linguagem de seu homem interior. Mágoa, doença, e aflição, frequentemente revelam o estranho fato de que os ditos céticos não são céticos de jeito nenhum, e que muitos falam de ceticismo meramente por um desejo de parecerem inteligentes, e para ganhar o aplauso temporário de homens inteligentes. Que há uma imensa quantidade de incredulidade no mundo eu não questiono; mas que muito disto é mero espetáculo e fingimento, é para minha mente, claro como o meio-dia. Nenhum homem, eu penso, pode fazer o trabalho pastoral, se aproximar das almas, visitar os doentes e assistir os moribundos, sem chegar a esta conclusão.

____________________________
Extraído do sermão: Incredulidade: Uma Maravilha.  
Escrito por J.C.Ryle

0 comentários:

Postar um comentário

           
EU SOU CALVINISTA: PREGANDO E ENSINANDO A PALAVRA DO NOSSO SENHOR JESUS!!